segunda-feira, 19 de maio de 2008

1º Farias, aqui o link para o livro para leitura obrigatória

http://www.4shared.com/file/33014642/d270f976/Monteiro_Lobato_-_Emilia_no_Pais_da_Gramatica.html?s=1

Galera do 1º Farias, aqui o texto que comentei na aula de 19/05

Para Viver Um Grande Amor

Vinicius de Moraes


Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor.Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.
Texto extraído do livro "Para Viver Um Grande Amor", José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1984, pág. 130.

Construção - Chico Buarque

Galera aqui está o link para fazer o download da música que trabalhamos em sala: http://www.4shared.com/file/27786361/fd7db66a/04_Construo.html

domingo, 18 de maio de 2008

Vejam a atualidade de Gregório de Matos

Povo pensante do Farias Brito, se na redação de um vestibular vocês tiverem de dissertar sobre a atual Política Brasileira e necessitarem de um intertexto, aqui está:

Gregório de Matos foi polêmico e muito de sua crítica se deu por interesses pessoais. Mas é inegável que, ao falar do Estado da Bahia, ainda no século 17, Matos definia uma mazela nacional duradoura. Vejam abaixo como a avaliação do poeta bem serve aos escândalos de hoje. É isso.



Que falta nesta cidade?… Verdade.
Que mais por sua desonra?… Honra.
Falta mais que se lhe ponha?… Vergonha.


O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta Verdade, honra, vergonha.


Quem a pôs neste rocrócio?… Negócio.
Quem causa tal perdição?… Ambição.
E no meio desta loucura?… Usura.


Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que perdeu
Negócio, ambição, usura.


Para ler o poema completo: http://www.releituras.com/gmattos_menu.asp

Amor Próprio - Voltaire

O primeiro texto deste Blog, sem dúvidas, deveria falar de Amor, mas o Amor Próprio. Hoje, nem sabemos se nos amamos. Ontem, amávamos a todos. Amanhã, a quem amaremos? Reflitam, após a leitura deste texto de Voltaire, sobre se no contexto atual nos amamos. Boa leitura.


AMOR PRÓPRIO
Um mendigo dos arredores de Madri esmolava nobremente. Disse-lhe um transeunte:
— O sr. não tem vergonha de se dedicar a mister tão infame, quando podia trabalhar?
— Senhor, – respondeu o pedinte – estou lhe pedindo dinheiro e não conselhos. – E com toda a dignidade castelhana virou-lhe as costas. Era um mendigo soberbo. Um nada lhe feria a vaidade. Pedia esmola por amor de si mesmo, e por amor de si mesmo não suportava reprimendas. Viajando pela Índia, topou um missionário com um faquir carregado de cadeias, nu como um macaco, deitado sobre o ventre e deixando-se chicotear em resgate dos pecados de seus patrícios hindus, que lhe davam algumas moedas do país.
— Que renúncia de si próprio! – dizia um dos espectadores.
— Renúncia de mim próprio? – retorquiu o faquir.
– Ficai sabendo que não me deixo açoitar neste mundo senão para vos retribuir no outro. Quando fordes cavalo e eu cavaleiro. Tiveram pois plena razão os que disseram ser o amor de nós mesmos a base de todos as nossas ações – na Índia, na Espanha como em toda a terra habitável. Supérfluo é provar aos homens que têm rosto. Supérfluo também seria demonstrar-lhes possuírem amor próprio. O amor próprio é o instrumento da nossa conservação. Assemelha-se ao instrumento da perpetuação da espécie. Necessitamo-lo. É-nos caro. Deleita-nos – E cumpre ocultá-lo.

Hora de abraçar a Modernidade

Fico triste por saber que meus alunos não sentem prazer em abrir um bom livro, viajar pelas palavras a mundos desconhecidos, aproveitar da maturidade alheia, conhecer o passado de grandes gênios, etc... etc... etc... O prazer para eles é "viajar pela net", e aqui estão tantas "porcarias" que precisam filtrar numa fase em que as bases de filtro, as famílias, se distanciam dessa tarefa. Resolvi, por esse motivo, invadir um espaço que minha geração, sem dúvidas, não escolheria em detrimento do bom livro. Espero que os textos aqui postados possam despertar o interesse pela leitura, e que possam também, desenvolver a criticidade destes alunos em relação aos temas apresentados. Oxalá este objeto da modernidade colabore para isto, pois é hora de abraçá-la. Façam bom uso.